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(2011) Sobre a combinação da Pragma-dialética com a Análise Crítica do Discurso more

Constanza Ihnen e John E Richardson

tit, Universidade Estadual de Santa Cruz Reitor: Antonio Joaquim Bastos da Silva Vice-Reitor: Adelia Maria Carvalho de Melo Pinheiro DLA DEPARTAMENTO DE LETRAf E ARTE/ Departamento de Letras e Artes Diretor: Samuel Leandro Oliveira de Mattos Vice-Diretora: Lucia Regina Fonseca Netto Rodovia BA-415, Ilheus-Itabuna, km 16 Campus Soane Nazare de Andrade CEP 45662-900 - Ilheus - Bahia - Brasil Enderego eletronico: letras@uesc.br Sftio eletronico: http://www.uesc.br/dla/index.php Fone/Fax: 55 73 3680-5088 EID&A EID&A Revista Eletronica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao ISSN 2237-6984 Editores Eduardo Lopes Piris Moises Olfmpio Ferreira Enderego eletronico: revista.eidea@gmail.com Sftio eletronico: http://www.uesc.br/revistas/eidea EID&A: Re vista Eletronica de Estudos Integrados em Discurso e Argumenta^ao UESC - Universidade Estadual de Santa Cruz Departamento de Letras e Artes Rodovia BA-415, Ilheus-Itabuna, km 16 Campus Soane Nazare de Andrade CEP 45662-900 - Ilheus - Bahia - Brasil revista.eidea@gmail.com Editores Eduardo Lopes Piris • Moises Olfmpio Ferreira Comite Cientifico Ana Maria Di Renzo (UEMT) • Ana Soledad Montero (UBA) • Ana Zandwais (UFRGS) • Anna Flora Brunelli (UNESP) • Carlos Piovezani (UFSCar) • Claudia Stumpf Toldo (UFP) • Christian Plantin (ICAR/CNRS) • Cristian Tileaga (U.Loughborough) • Eduardo Chagas Oliveira (UEFS) • Eduardo Lopes Piris (UESC) • Edvania Gomes da Silva (UESB) • Eliana Alves Greco (UEM) • Eugenio Pagotti (UFS) • Emilia Mendes Lopes (UFMG) • Galia Yanoshevsky (U.Tel-Aviv) • Gilberto Nazareno Telles Sobral (UNEB) • Grenissa Bonvino Stafuzza (UFG) • Helena Nagamine Brandao (USP) • Isabel Cristina Michelan Azevedo (ABEC) • Ivo Jose Dittrich (UniOeste) • John E. 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Especificamente, em um discurso proferido em uma importante conferencia, Zagar (2009) defendeu que os trabalhos de alguns Analistas Criticos do Discurso nao apenas fazem o mau uso, como tambem interpretam erroneamente alguns conceitos centrais da teoria retorica classica - em particular os topoi - e que permanentemente mancharam a sua convengao analitica por conta de um desencontro fundamental entre os objetivos analiticos e polfticos da ACD. A partir de uma postura argumentativa diferente, porem nao totalmente irrelacionada, Iejcu- Fairclough (2010, p. 2) argumentou que a Abordagem Historica do Discurso para a ACD utiliza a nogao de topos "de maneiras que parecem nao corresponder" a forma que o topos e definido na retorica classica. Em vez disso, a propria analise critica dos discursos publico e politico feita por Fairclough favorece "uma abordagem que faz uso do aparato Constanza Jory Dinen" John E Richardson111 altamente tecnico e rigoroso da teoria da argumentagao a fim de participar da reconstrugao e da analise do argumento" (IEJCU-FAIRCLOUGH, 2010, p. 3). Entretanto, ela e enfatica ao dizer que "o modelo pragma-dialetal nao e suficiente" para tamanha tarefa, visto que "O debate e deliberagao publicos nao se encaixam facilmente no modelo de DC [discussao critica]" (Ibid). Mais detalhadamente, ela argumenta que, embora a discussao critica "termine de maneira ideal em consenso, a politica nao e um reino em que o consenso e sempre possfvel ou desejavel". Ao ignorar o fato de que a resolugao de uma divergencia entre opinioes nao e a mesma coisa que atingir um consenso, Ietcu-Fairclough (2010) defende que isso nao e sempre possfvel, pois ha "diferengas de opiniao que precisam ser deixadas em paz e que devem coexistir pacificamente sem um acordo, sem um ponto de vista tentar mudar o outro"; similarmente, a solugao nao e sempre desejavel, visto que "o raciocmio pratico na esfera publica ocorre num contexto de pluralismo de valores, bem como uma pluralidade de objetivos, e ha argumentos tipicamente bons em ambos os lados de um I Referenda do texto fonte desta tradugao: IHNEN; Constanza; RICHARDSON, John E. On Combining Pragma- Dialectics with Critical Discourse Analysis. In: FETERIS, E.T.; GARS SEN, B.; SNOECK HENKEMANS, F. (Eds). Keeping in touch with Pragma-Dialectics: In honor of Frans H. van Eemeren. Amsterdam: John Benjamins, 2011. pp. 231-244. II Doutoranda pela Universidade de Amsterdam, Holanda. E-mail: c.ihnemjory @ uva.nl. III Docente da Universidade de Newcastle, Inglaterra. E-mail: iohn.richardson2@newcastle.ac.uk. 38 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ debate" (Ibid). Por ultimo, Forchtner e Tominc (no prelo) argumentam contra o uso da Pragma-Dialetica na Abordagem Historia do Discurso para ACD, uma vez que faze-lo implica em um "conflito epistemologico" incomensuravel entre a Teoria Critica (Habermas) da Abordagem Critica do Discurso e o Racionalismo Critico da Teoria Pragma-Dialetica. Em suma, ha um corpo de trabalho crescente que afirma haver uma incompatibilidade basica entre a ACD e a Pragma-Dialetica. Em contraste com essa ideia, consideramos essa partilha putativa entre a ACD de um lado e a argumentagao - em particular a teoria pragma-dialetal - do outro, como equivocada e indesejavel. De fato, neste artigo, defendemos que a Pragma-Dialetica pode desempenhar um enorme papel no piano de pesquisa da ACD. Desenvolvemos o nosso argumento em duas etapas: na primeira, destacamos as diferengas entre essas duas abordagens: uma vez que se pode esperar que os leitores estejam mais ou menos familiarizados com a teoria Pragma-Dialetica, mas nao necessariamente com a ACD, comegamos com uma breve introdugao a essa ultima. Em seguida, especificamos os beneffcios que sao os resultados da combinagao das duas perspectivas. 1. Duas abordagens para o discurso (argumentative) Os principais focos teoricos e analfticos da Analise Critica do Discurso (ACD) continuam a ser as relagoes entre o texto e o contexto. Como a maioria das abordagens da analise do discurso, a ACD esta interessada em examinar "o que e como a linguagem comunica quando e usada propositalmente em determinadas instancias e contextos" (CAMERON, 2011, p. 13). Consideramos que a linguagem e uma pratica social que, como todas as praticas, e dialeticamente relacionada aos contextos de seu uso. Em outras palavras, "falar e escrever sempre representa, produz e reproduz atitudes, crengas, opinioes e ideologias" (HEER e WODAK, 2008, p. 10) e, dessa forma, o uso da linguagem contribui para a produgao e reprodugao de realidades sociais. Apesar de seu nome, a ACD nao e um metodo singular de analise. Em vez disso, e uma perspectiva sobre o conhecimento critico, direcionado a analise dos meios atraves dos quais os indivfduos e grupos sociais usam a linguagem. Os analistas criticos do discurso focalizam "em problemas sociais e especialmente no papel do discurso na produgao e reprodugao do abuso de poder e dominagao" (van DIJK, 2001, p. 96). Por isso, "A ACD se enxerga como uma pesquisa politicamente envolvida com necessidades emancipatorias: busca alcangar um efeito na pratica social e nas relagoes sociais" (TITSCHER et al, 2000, p. 147), particularmente as relagoes de supressao de poder, dominagao, preconceito e/ou discriminagao. Dada a variagao das abordagens para a ACD - ou, de forma ainda mais ampla, a variagao dos Estudos do Discurso Critico -, inevitavelmente qualquer consideragao sobre o que e a ACD sera parcial. Aqui, discutimos a Abordagem Historica do Discurso de Ruth Wodak para a analise do discurso (ver REISIGL e WODAK 2001, 2009; RICHARDSON e WODAK, 2009a, 2009b; WODAK, 2009), visto que essa e, atualmente, a unica abordagem significante que, a prinefpio, trouxe formalmente a argumentagao a esse vies analftico1. A Abordagem Historica 1 Isso nao e para sugerir que outras abordagens para a ACD nao estejam interessadas em analisar o discurso argumentativo. Em um de seus primeiros artigos programaticos, van Dijk (1993) postula que 'analistas criticos do discurso querem saber quais estruturas, estrategias ou outras propriedades do texto, fala, interacao verbal, ou eventos comunicativos, desempenham um papel' em relacoes de dominancia social e depois listam "topicos, significados locais, estilo e retorica" como candidates a exemplos de tais 39 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ do Discurso (AHD) busca integrar e triangular o conhecimento sobre fontes historicas e o piano de fundo dos campos social e politico em que os eventos discursivos sao incorporados. Tamanho objetivo e baseado no princfpio de que o texto apenas adquire sentido quando o seu manifesto e significados latentes (implicatura, pressuposigao, alusao etc.) sao lidos em contextos. Assim, contexto, contextualizagao e recontextualizagao precisam ser levados a serio na analise: aspectos da construgao de sentido textual que frequentemente sao sinalizados e realizados atraves de relagoes intertextuais. Nao ha texto isolado no espago e no tempo, como muitos estudos apontam, e, portanto, a intertextualidade e inerentemente parte e parcela integrantes da construgao de significado no texto (van DIJK, 2008a). A Abordagem Historica do Discurso (AHD) faz uso de quatro 'nfveis de contexto' como heuristicos para situar as praticas discursivas, estrategias e textos e um contexto sociopolftico especffico. No primeiro, o contexto imediato, a linguagem ou cotexto interno do texto, leva em consideragao questoes como a coerencia textual, coesao e "os processos interativos de negociagao local" (REISIGL e WODAK, 2001, p. 41), tal como estruturas, estrategias ou outras propriedades do texto e da fala. Similarmente, Fairclough (1996, p. 286) argumenta que a analise de um evento discursivo particular requer uma 'orientacao de como retrabalhar o recurso social da ordem do discurso existente, mas is so tambem inclui as preocupacoes da analise estilfstica, pragmatica e retorica'. Fairclough (2003) remete brevemente ao trabalho de Toulmin na discussao sobre argumentos 'dialogicos' e 'monologicos', embora tenha se afastado da argumentacao para uma nocao mais fluida de interpretacao em sua recente Abordagem Dialetica-Relacional (2009). Como regra, os metodos da analise do discurso utilizados na ACD nao podem ser prescritos com antecedencia, visto que a escolha deles depende principalmente de questoes de pesquisa especfficas. Dito isso, a AHD e a unica abordagem que explfcita e consistentemente cita a argumentacao como uma estrategia-chave do discurso, daf o nosso foco nessa abordagem neste artigo. uma troca de turnos, pergunta e resposta etc. Alem disso, ao consideramos Billig et al (1988), defendemos que textos sao multivocais - apresentam mais de uma visao - ou sao baseados em "dilemas ideologicos", tensoes e inconsistencias que podem ser extrafdos da analise. No segundo, ha as relagoes intertextuais e interdiscursivas entre os enunciados, textos, generos e discursos. Esse nfvel de contexto leva em consideragao a historia e as referencias intertextuais de termos e conceitos usados, ou as formas em que se menciona, discute ou debate-se um conceito em diferentes textos e em diferentes generos. Por exemplo: de que forma tern sido discutida historicamente a imigragao? Isso difere dos generos ou dos tipos de atividade argumentativa? Essas relagoes intertextuais e interdiscursivas podem, e deveriam, ser examinadas em termos de continuidades e descontinuidades com a epoca atual. No terceiro, ha as variantes sociais/sociologicas e estruturas institucionais de um "contexto de situagao" especffico. Portanto, se o objeto de analise e um folheto de eleigao partidaria, ele teria de ser contextualizado como um folheto de eleigao partidaria, ou seja, como e um texto produzido em um momento particular, por uma organizagao particular, de acordo com um determinado conjunto de criterios discursivos. No quarto, leva-se em consideragao os contextos sociopolfticos e historicos mais amplos dentro dos quais as praticas discursivas estao embutidas. Este quarto nfvel de contexto e a "historia", como e convencionalmente compreendida, as amplas historias das interagoes complexas entre as pessoas, organizagoes, instituigoes e ideias. Tal consideragao e baseada no princfpio de que o discurso esta "situado nas, moldado e constitufdo pelas circunstancias, que sao mais do que e que sao diferentes da linguagem" (ANTHONISSEN, 2003, p. 297). Por esse 40 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ motivo, esses contextos sociais, polfticos e historicos precisam ser trazidos de volta para a analise. Essas quatro camadas permitem que os pesquisadores se situem melhor e analisem os significados do discurso e como eles se relacionam ao contexto. Alem disso, a AHD busca identificar o efeito das estrategias discursivas especfficas que podem servir para representar um indivfduo ou um grupo, positiva ou negativamente (ver REISIGL e WODAK, 2009). Especificamente, a AHD oferece cinco tipos de estrategias discursivas que sustentam a inclusao/exclusao do eu/outro, e a construgao de identidades. "Estrategia", nesse sentido, geralmente diz respeito a um (mais ou menos preciso e mais ou menos intencional) piano de praticas, incluindo praticas discursivas, adotadas para alcangar um objetivo social, politico, psicologico ou lingufstico em particular. Na primeira, ha as estrategias referenciais, ou nominativas, pelas quais os atores sociais sao nomeados e, dessa forma, discursivamente representados e posicionados, por exemplo, como parte de grupos internos e/ou grupos externos. Isso pode ser alcangado por meio de um numero de dispositivos de categorizagao de filiagao mais ou menos explfcitos, desde a nominalizagao aberta ate a metonfmia, metafora e sinedoque. Na segunda, atores sociais, enquanto indivfduos membros de um grupo ou como um grupo em si, sao linguisticamente caracterizados atraves de predicagoes. Essas estrategias predicacionais podem, por exemplo, ser percebidas como atribuigoes avaliativas de tragos negativos e positivos na forma lingufstica de predicados implfcitos ou explfcitos e, assim, objetivam a categorizagao de atores sociais, processos, coisas etc., de uma maneira mais ou menos positiva ou negativa. Na terceira, ha estrategias de argumentacdo, e quanto a isso Reisigl e Wodak (2001) dedicam uma enfase particular aos topoi, por meio dos quais atribuigoes positivas e negativas sao frequentemente justificadas. Tipicamente, os topoi num discurso preconceituoso ou discriminatorio sao empregados para justificar a exclusao de imigrantes atraves de argumentos quase racionais, como: "eles sao um peso para a sociedade", "eles custam muito caro", "a cultura deles e muito diferente" etc. (KRZYZANOWSKI e WODAK, 2008; REISIGL e WODAK, 2001; WODAK e van DIJK, 2000). Analisar as estrategias de argumentagao de um texto/discurso tambem requer que os analistas examinem o potencial argumentative dos elementos visuais (RICHARDSON, 2008). De fato, dados os constrangimentos legais e os notaveis tabus sociais contra argumentagoes racistas abertamente declaradas em partidos polfticos, argumentos preconceituosos normalmente nao sao enunciados explicitamente e podem contar com certos elementos pictoricos para avangar a um ponto de vista coerente (RICHARDSON e WODAK, 2009a). Na quarta, pode-se focalizar em estrategias de perspectivacao, enquadramento ou representacdo do discurso. Atraves do enquadramento, falantes expressam o seu envolvimento no discurso e posicionam o seu ponto de vista no relato, descrigao, narragao ou citagao de eventos relevantes ou enunciados. Na quinta, ha estrategias de intensificacdo e atenuacdo, as quais ajudam a qualificar e modificar o status epistemico de uma proposigao pela intensificagao ou atenuagao da forga ilocucionaria dos enunciados. Essas estrategias podem ser um aspecto importante da apresentagao, na medida em que atuam para evidencia-la ou reduzi-la. Assim, a AHD, para a Analise Critica do Discurso, contextualiza texto e fala em relagao a outros discursos, a pontos de referenda social e institucional, bem como a contextos e eventos sociopolfticos e historicos. 41 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ A Pragma-Dialetica divide com a ACD o interesse em descrever o discurso (argumentative) e em realizar essas descrigoes a partir da otica pragmatica. O printipio pragmatico, por exemplo, aponta que o significado do (fragmento do) discurso e ligado ao seu contexto de uso, o que nao e apenas fundamental a ACD mas tambem a Pragma-Dialetica. Nao e surpresa, entao, que a analise pragma-dialetica tambem recaia sobre acordos empfricas que vao alem do proprio discurso. As fontes tfpicas usadas para analisar o discurso argumentative na Pragma-Dialetica sao percebidas em relagao as estruturas convencionais, as estrategias do discurso e as evidencias etnograficas relacionadas ao contexto espetifico do tipo de atividade - ou genero - na qual o discurso esta inserido. Tambem, o contexto sociopolftico e historico mais amplo do discurso desempenha um importante papel na analise de representagoes do implfcito e dos atos de fala indiretos, como as premissas nao ditas. (van EEMEREN, GROOTENDORST, JACKSON e JACOBS, 1993; van EEMEREN, 2010). Conectada a essa orientagao pragmatica do discurso esta a pressuposigao compartilhada de que a linguagem e uma atividade orientada a um objetivo - que ocorre em meio a um conjunto de restrigoes contextuais - e de que os falantes querem que os seus enunciados nao apenas sejam compreendidas mas tambem aceitos. Essa visao comum do discurso pode explicar outra ampla area em que ha acordo entre as duas perspectivas: os seus interesses em estudar a dimensao estrategica do discurso (argumentative). Na Pragma-Dialetica, a busca do falante pela efetividade e estudada a partir do ponto de vista das "manobras estrategicas" e, na Abordagem Historica do Discurso. sob o conceito mais geral de "estrategia discursiva". De maneira interessante, nao e apenas na descrigao do discurso (argumentative) em que essas perspectivas sobre o discurso se encontram. A Pragma-Dialetica e a ACD tambem convergem, em seus interesses, para a execugao de alguns tipos de "avaliagoes" ou "criticas" do discurso. Na Pragma-Dialetica, o discurso argumentative e avaliado do ponto de vista do modelo ideal de uma discussao critica, que especifica os estagios e regras instrumentais a resolugao racional de uma diferenga de opiniao. Um movimento argumentative que violar qualquer uma dessas regras e negativamente avaliado como "irrational" ou "falacioso", pois obstrui a resolugao racional da disputa. Na ACD, os analistas estao interessados nao apenas em descrever como a realidade social e representada no discurso, mas tambem em rotular e caracterizar certas representagoes como "inaceitaveis" ou "irracionais", pois desempenham um papel na (re)criagao de relagoes de desigualdade e de supressao de poder. Tal caracterizagao, do que e comunicado no discurso, tambem e claramente avaliativa em sua natureza.2 Abordagens da ACD que se baseiam na teoria da argumentagao tambem empregam modelos ideais de interagao comunicativa na Analise Critica do Discurso. De fato, os analistas que trabalham a partir da Abordagem Historica do Discurso usaram a Pragma-Dialetica, incluindo o modelo de uma discussao critica, como parte de sua analise critica das estrategias lingmsticas de argumentagao (REISIGL e WODAK, 2001). Contudo, a avaliagao discursiva, a partir da perspectiva da ACD, normalmente significa mais do que avaliar a razoabilidade dialetica.3 Em concordancia com a sugestao de van Dijk (2008b, p. 823) de que a ACD deveria abordar "a falta de teoria sobre as normas e printipios da sua propria atividade critica", 2 Essa e, alias, a chave para a distingao entre 'Analise Critica do Discurso', de um lado, e 'Analise do Discurso', do outro. Esta ultima se preocupa apenas com a descricao e interpretacao do discurso. 3 Embora, conforme detalhamos, a ACD possa, ainda assim, integrar a analise pragma-dialetica em uma ampla critica sociopolftica. 42 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ recentemente, alguns estudiosos dentro da ACD tornaram-se urn pouco mais envolvidos na tarefa de fornecer uma justificativa teorica explfcita, e mais coerente, para os julgamentos normativos no coragao da critica4. Tal trabalho permanece em seus estagios de desenvolvimento, o que significa que mais esforgo vai ser necessario ate que a critica normativa possa ser recuperada de sua atual localizagao isolada na filosofia politica e moral (SAYER, 2006). Ainda assim, podemos identificar duas abordagens teoricas promissorias: adaptar e aplicar a nogao do discurso deliberative de Habermas (conferir FORCHTNER, no prelo; FORCHTNER e TOMINC, no prelo); e a postura antirreducionista, objetivista de Sayer sobre o sofrimento social. Ha, e claro, algumas diferengas notaveis entre a Pragma-Dialetica e a ACD. O primeiro e, talvez, mais obvio contraste remete ao tipo de atividade discursiva com que cada uma se relaciona. ACD nao esta especifica e primariamente interessada na argumentagao. A perspectiva da ACD pode ser aplicada a qualquer tipo de discurso, e para cada elemento de um discurso, nao importa qual seja a sua fungao, argumentativa, informativa ou explanatoria. A Pragma-Dialetica, em contraste, lida exclusivamente com o discurso argumentativo e, por isso, com movimentos que tern uma fungao argumentativa. Ha, alem disso, uma diferenga fundamental no que diz respeito aos seus metodos de analise. De um lado, a ACD nao possui uma metodologia singular, mas baseia-se em criterios e aplica categorias provenientes de uma variedade de fontes. A lingufstica e uma delas, e claro, mas tambem o sao a Teoria Politica, a Filosofia Politica, a Sociologia e a Historia. De fato, Sayer (2006, p. 463) Ver a conferencia "Critica: Uma conferencia interdisciplinar sobre 'ser critico'", realizada na Universidade de Loughborough, em 26 de Junho de 2009. argumenta que a "ACD nunca deve ser uma atividade autossuficiente", e necessariamente precisa se basear em "conhecimentos academicos espetificos sobre as questoes abordadas no discurso em questao" (ver tambem WODAK, 2001). Do outro lado, a Pragma-Dialetica tern um metodo de analise proprio. Esse metodo consiste em realizar uma "reconstrugao normativa" do discurso. A finalidade de tal reconstrugao e recuperar, de uma sequencia de atos de fala pragmaticamente organizados, um conjunto de atos argumentativamente relevantes, aos quais as normas e as categorias do modelo ideal para uma discussao critica sao pertinentes e representam-nos em uma visao geral analitica (van EEMEREN et al, 1993). A visao geral especifica o tipo de disputa, as proposigoes que compoem a substantia dos pontos de vista e argumentos, os pontos de partida da discussao, os tipos de esquemas de argumentos usados em cada argumento separadamente e a forma como esses argumentos se relacionam uns com os outros.5 Diferente tambem e o foco da analise. O que e relevante para a ACD pode nao ser relevante para a Pragma-Dialetica, e vice versa, e diferentes perspectivas sobre a relevancia provavelmente resultam em diferentes descrigoes do mesmo discurso. A ACD tipicamente descreve textos a partir do ponto de vista de um problema social espetifico (por exemplo, a discriminagao contra os mugulmanos) e concentra-se na manifestagao discursiva do abuso de poder e eixos de dominagao em relagao a esse problema (por exemplo, a representagao do 5 Para ter certeza, ha uma sobreposigao partial entre a Pragma-Dialetica e a ACD no que tange ao uso de fontes (socio) Unguisticas na analise. Ainda assim, ha uma diferenca crucial em que o modelo para uma discussao critica especifica o que procurar no discurso e fornece uma estrutura para sistematicamente interpretar, situar e organizar dados empfricos relevantes. 43 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ veu mugulmano em noticiarios).6 A analise pragma-dialetica focaliza, em contraste, atos argumentativamente relevantes, que sao os atos que podem desempenhar um papel (positivo ou negativo) em uma discussao critica. Esses atos argumentativos podem dizer respeito a qualquer assunto. Ha tambem uma diferenga sutil no que diz respeito a relagao entre a analise do discurso, de um lado, e a avaliagao ou critica, do outro, em cada uma dessas abordagens. Na Pragma- Dialetica, analise e avaliagao sao trabalhadas de forma independente, e o resultado de cada um desses processos e apresentado separadamente. Na ACD, em contraste, os resultados das analises - um exame dos processos do discurso em seu sentido mais amplo - e a critica do discurso sao frequentemente apresentados simultaneamente. A dimensao estrategica do discurso tambem e analisada de forma diferente. Como foi mencionado anteriormente, o ponto central da abordagem pragma-dialetica do discurso e o conceito de manobras estrategicas. A nogao e baseada na suposigao pragma-dialetica de que "engajar-se em um discurso argumentativo sempre significa estar, ao mesmo tempo, fora da razoabilidade critica e da eficacia astuta". (van EERMEREN e HOUTLOSSER, 2009, p. 4). Manobras estrategicas buscam influenciar o resultado de um estagio dialetico particular para a propria vantagem de um indivfduo, por meio da escolha de topicos potenciais dispomveis nesse estagio, ao adaptar os atos argumentativos aos que sao mais agradaveis a 6 Dito isso, e importante ressaltar outro ponto significante: A ACD nao - ou pelo menos nao deveria - evidencia cada representacao negativa de alguem pertencente a um grupo sem poder como, por si so, ilegftima (isto e, racista, sexista, antimuculmana, etc.). Uma analise critica do discurso deve distinguir entre a critica legftima de (pessoas que por acaso sao), por exemplo, muculmanos e ataques ilegftimos (em outras palavras, preconceituosos ou racistas). Para uma elaboracao desse ponto de vista, ver Richardson (2006). uma audiencia e por meio da escolha intencional de dispositivos de apresentagao incluindo, mas nao exclusivamente, as varias figuras e tropos da teoria classica da argumentagao (retorica e dialetica). Porem, as escolhas espetificas que os argumentadores fazem em suas manobras estrategicas podem, todavia, ser tratadas como estruturas obrigatorias, o que significa que deveriamos considerar a inclusao dessas escolhas de forma pragmatica, expondo como e em quais aspectos o uso de manobras particulares pode ser explicado pelas oportunidades particulares oferecidas por certo estagio dialetico (ver tambem PERELMAN e OLBRECHTS- TYTECA, 1969, p. 168). Essa caracterizagao de manobras estrategicas ja aponta alguns contrastes com a ACD: A ACD nao se preocupa apenas com estrategias argumentativas, e mesmo quando a estrategia em estudo e argumentativa, o analista nao explica necessariamente tais estrategias por referenda ao quadro dialetico de uma discussao critica.7 Por fim, ha tambem muitas diferengas significantes relacionadas a avaliagao do discurso. A Pragma-Dialetica objetiva a identificagao de atos argumentativos falaciosos - atos que obstruem a resolugao racional de uma divergencia de opinioes. Para tal, o analista verifica se os atos cumprem com as regras de uma discussao critica. Na ACD, a principal preocupagao e associar a analise lingufstica a analise social, examinando as relagoes entre o texto e o contexto em geral e, especificamente, entre o discurso (linguagem em uso) e a supressao de poder social, politico e economico. 2. Perspectivas de um dialogo entre a Pragma-Dialetica e a ACD 7 Ver tambem Richardson (2001) e Ietcu-Fairclough (2008), que incorporam uma abordagem de manobras estrategicas em suas analises. 44 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ Antes de especificar os meios pelos quais a ACD pode tirar proveito de uma abordagem pragma-dialetica, e importante definir claramente os limites de uma contribuigao pragma-dialetica. A Pragma-Dialetica, enquanto teoria da argumentagao, pode ser relevante para a Analise Critica do Discurso apenas no que diz respeito a dimensao argumentativa do discurso em estudo. Assim, um discurso pode englobar declaragoes, pressuposigoes e implicaturas, por exemplo, que sao extremamente in teres santes a partir da perspectiva da ACD, mas que nao seriam tomadas por uma reconstrugao pragma- dialetica, pois nao sao argumentativamente (isto e, dialeticamente) relevantes. Dito isso, pensamos que a Pragma-Dialetica pode contribuir para uma analise critica do discurso argumentativo em ao menos tres aspectos.8 Em primeiro lugar, a Pragma- Dialetica oferece um aparato teorico para estabelecer o que e comunicado no discurso argumentativo. A atribuigao de um grande numero de elementos implfcitos no discurso argumentativo - compromissos proposicionais, relagoes funcionais, organizagao estrutural e a coerencia geral do discurso argumentativo - pode apenas ser justificada adequadamente pela referenda a algum conjunto de expectativas relacionadas ao modo como a argumentagao deve proceder. Isso e precisamente o que a Pragma-Dialetica fornece. Esquemas de argumentos fornecem o embasamento teorico para reconstruir premissas implfcitas e pontos de vista, e para identificar o tipo de relagao justificatoria entre Devido a limitacoes de espaco, iremos apenas examinar as formas atraves das quais a Pragma- Dialetica pode contribuir para a ACD. No entanto, a ACD tambem pode contribuir para a Pragma-Dialetica, por exemplo, ao expor modos, ou 'especies' de praticas argumentativas nas quais as estrategias de relacoes desiguais de poder sao promulgadas. Emrelacao a AHD em particular, os quatro 'mveis de contexto' utilizados para localizar as praticas, estrategias e textos em contextos especfficos poderiam ser muito uteis no refino de analise de tipos de atividades argumentativas. argumentos e pontos de vista (ATKIN e RICHARDSON, 2007). Da mesma forma, os tipos diferentes de estruturas argumentativas distinguidas na Pragma-Dialetica subordinativa, coordenativa e multipla - fornecem uma ferramenta teoricamente motivada para descrever a relagao entre os argumentos utilizados na justificativa de alguem e algum ponto de vista. Em resumo, consideramos que os metodos pragma- dialeticos de analise podem fornecer o embasamento teorico e sistematico para as pretensoes interpretativo-descritivas da ACD. E isso, por sua vez, pode prevenir acusagoes contra a ACD de vies interpretative que forga uma leitura ideologicamente motivada de um texto9. Essa contribuigao em nfvel de analise nao deveria ser subestimada, uma vez que qualquer critica social apropriada do discurso pressupoe uma descrigao adequada. Em segundo lugar, gostariamos de destacar o potencial das manobras estrategicas para o enriquecimento de analises estrategicas da AHD. Isso se aplica nao apenas ao analista das 'estrategias de argumentagao' da AHD (topoi), mas tambem ao estudo de estrategias relativas aos atos argumentativo s que vao alem do ato de fala da argumentagao, como o enquadramento de uma diferenga de opiniao de um modo vantajoso na fase de confronto, ou como apresentar, na fase inicial, pontos de partida como se fossem questoes de "fato". Ademais, cremos que a ACD pode se beneficiar dos metodos pragma-dialeticos para avaliar o discurso argumentativo. Em nosso ponto de vista, uma critica social do discurso nao deveria consistir simplesmente em uma justaposigao de ideias transmitidas num discurso e de pontos de vista expressos pelo analista critico do discurso na realidade social. Em vez disso, a critica deveria envolver a 9 Schelgloff (1997), por exemplo, avalia as descricoes da ACD como problematicas, pois ele considera a interpretacao do analista como baseada no compromisso ideologico e nao em uma perspectiva analftica. 45 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentacao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ justificagao - uma justificagao que leve em conta os argumentos avangados no discurso em analise. Cremos que os instrumentos pragma-dialeticos para avaliagao - regras de discussao critica e questoes criticas em particular - podem desempenhar um importante papel em um processo justificatory desse tipo. 3. Para uma abordagem integrada da analise da argumentacao Concretamente, propomos a concepgao de critica como o processo no qual o analista critico do discurso avalia a eficiencia dos atos argumentativos a partir da perspectiva da discussao critica. Para fazer jus aos interesses emancipatorios da ACD, todavia, a avaliagao da argumentagao do autor deveria ir alem, encarando, quer a critica realmente exposta pelo oponente real, quer a critica projetada pelos proprios argumentadores. O processo avaliativo deveria permitir ao analista apresentar as criticas que ainda nao foram levadas em conta pelos partidos reais ou projetados para a disputa. Em outras palavras, cremos que o analista do discurso critico deveria ter permissao para tomar parte na discussao como se integrasse outro partido na disputa, que assume (no minimo) o papel de antagonista aos pontos de vista expressos pelo autor10. Dessa forma, o analista vai necessariamente confiar, explfcita ou implicitamente, em alguns modelos polfticos normativos ou ideias. Dessa forma, os analistas criticos do discurso podem sistematicamente justificar as suas criticas de que certo discurso e parcial (no sentido de se basear na ignorancia ou em um Um analista critico do discurso pode - e provavelmente ira - assumir tambem o papel de protagonista do ponto de vista oposto. Alem disso, ele/ela pode assumir, em mvel de uma subdisputa, o ponto de vista de que a argumentacao e insuficiente e adiantar objecoes a argumentacao do protagonista para justificar a critica dele/dela. entendimento parcial de uma realidade social) ou ideologicamente questionavel (uma vez que contribui para o sofrimento ou dificulta o florescimento interpessoal, ver SAYER, 2006), ao argumentar contra a aceitabilidade das premissas, ou contra a relevancia e suficiencia dos argumentos apresentados. Alem disso, os padroes para uma discussao critica poderiam ajudar a identificagao do preconceito e das relagoes de dominancia em nfveis discursivos que vao alem do processo de exposigao de argumentos. Por exemplo, a avaliagao pragma-dialetica pode trazer a tona inconvenientes interacionais como a restrigao da liberdade de agao do outro partido em nfvel de confrontagao (violagao da regra 1). Se o oponente e membro de algum grupo social suprimido de poder, essa falacia poderia apontar para a (re)cria£ao da desigualdade social no discurso. Tambem, o tratamento de uma disputa mista em termos de diferenga de opiniao nao-mista (violagao da regra 2) poderia ser uma forma de negligenciar a existencia do outro, discursos contraditorios e nao-dominantes, na esfera publica. Cremos que a nossa proposta faz jus aos princfpios que estao na base de cada uma dessas abordagens: racionalidade dialetica, por um lado, e um compromisso politico para aqueles que mais sofrem, do outro. A racionalidade dialetica e preservada enquanto exigimos do analista que ele exponha que os pontos de vista expressos no discurso sao inaceitaveis por nao resistirem a um teste critico. Ao mesmo tempo, a unidade sociopolftica da ACD e mantida ao permitir que o analista assuma um papel ativo na discussao (implfcita ou explfcita) pressuposta pelo discurso em consideragao. No exercfcio desse direito, o analista pode trazer a discussao criticas da argumentagao que nao sao absorvidas pelo autor e discursos dominantes no dommio publico11. 11 Diante do exposto, pode parecer que o claro interesse dos analistas criticos do discurso em descobrir os erros 46 IHNEN, Constanza; RICHARDSON, John E. Sobre a combinacao da Pragma-dialetica com a Analise Critica do Discurso. Traducao de Laurenci Barros Esteves. EID&A - Revista Eletrdnica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentagao, llheus, n.1, p. 38-48, nov. 2011._ Referencias ANTHONISSEN, C. 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